Numa noite bem dormida, o despertar com o estridente despertador é como um tombo.
como se a alma, tropeçasse no escuro da noite e caísse do céu, para o corpo...
E, descontente, tenta sair, tenta voar como no sonho, e leva alguns infinitos segundos para se acostumar ao peso do corpo... então se acomoda... e despertamos.
Quando não durmo porém, a alma incha, estufa, embolora por não ventilar. e não se acomoda na casca, como um crustáceo que cresce mais que o exoesqueleto.
parece que vou rachar.
Hoje é um dia assim.
Eu sei já de manhã que passarei o dia com a alma inquieta, apertada.
(é continuação do "Noite clara 2" mas ainda esta em processo.)
30 de set. de 2008
29 de set. de 2008
Noite Clara 2

O sol ainda não tinha nascido, mas a luz azul da manhã preenchia o quarto.Não queria levantar mas já estava desperto desde muito antes, como se nunca tivesse dormido.
Minhas narinas cheias de um cheiro doce e vermelho, que me assombrou por toda a noite.
E o som cinza dos primeiros carros na rua arruinavam a esperança de dormir até o sol despontar.
Estendi minha mão procurando não sabia pelo que.
Encontrei meus óculos.
Gosto dos óculos.
Com eles entre meus olhos e o mundo, vejo com nitidez.
Mesmo que esteja vendo o mal, vejo bem.
O cheiro vermelho se desfez, era só uma memória (esperança?), dessas que moram na ponta do nariz, e quando nos distraímos, pulam para dentro das fossas.
O cheiro era seu. mas com meus óculos vejo bem, estou sozinho. se repetimos uma mesma palavra muitas vezes, ela perde o sentido. ou pelo menos foi o que me disseram...
Quantas vezes terei de repetir "sozinho" até que "sozinho" perca o sentido?
"sozinho"
Mas não tão sozinho. Um carro especialmente barulhento, num gemido cinzento me lembra de minha eterna companheira... essa cidade, que é meu berço maldito. Minha relação com a cidade é como a de um casal, que esta a tanto tempo junto que já não sabe a razão de se estar junto. Vez por outra ela me lembra o que nela fez-me ama-la: uma pâineira em flor, um canto de sabiá na madrugada... mas normalmente, só vejo a face mais suja e feia, como o som cinza do carro la fora. penso sempre no divórcio, mas na divisão de bens perderia muitas coisas que já não sei viver sem.
Estar junto é quase como estar sozinho.
O pior de estar sozinho é gostar de estar sozinho.
Não! o pior é estar sozinho junto de alguém.
eu estou sozinho com a cidade.
quantas vezes terei de dizer "sozinho" para que "sozinho" perca o sentido?
Minhas narinas cheias de um cheiro doce e vermelho, que me assombrou por toda a noite.
E o som cinza dos primeiros carros na rua arruinavam a esperança de dormir até o sol despontar.
Estendi minha mão procurando não sabia pelo que.
Encontrei meus óculos.
Gosto dos óculos.
Com eles entre meus olhos e o mundo, vejo com nitidez.
Mesmo que esteja vendo o mal, vejo bem.
O cheiro vermelho se desfez, era só uma memória (esperança?), dessas que moram na ponta do nariz, e quando nos distraímos, pulam para dentro das fossas.
O cheiro era seu. mas com meus óculos vejo bem, estou sozinho. se repetimos uma mesma palavra muitas vezes, ela perde o sentido. ou pelo menos foi o que me disseram...
Quantas vezes terei de repetir "sozinho" até que "sozinho" perca o sentido?
"sozinho"
Mas não tão sozinho. Um carro especialmente barulhento, num gemido cinzento me lembra de minha eterna companheira... essa cidade, que é meu berço maldito. Minha relação com a cidade é como a de um casal, que esta a tanto tempo junto que já não sabe a razão de se estar junto. Vez por outra ela me lembra o que nela fez-me ama-la: uma pâineira em flor, um canto de sabiá na madrugada... mas normalmente, só vejo a face mais suja e feia, como o som cinza do carro la fora. penso sempre no divórcio, mas na divisão de bens perderia muitas coisas que já não sei viver sem.
Estar junto é quase como estar sozinho.
O pior de estar sozinho é gostar de estar sozinho.
Não! o pior é estar sozinho junto de alguém.
eu estou sozinho com a cidade.
quantas vezes terei de dizer "sozinho" para que "sozinho" perca o sentido?
27 de set. de 2008
Mudo
Vi uma poesia
ela não pode ser falada, nem escrita.
da janela do meu quarto
uma rua inteira de sobrados geminados
acácias em flor
paredes de tijolos
sábado
sol
só
ela não pode ser falada, nem escrita.
da janela do meu quarto
uma rua inteira de sobrados geminados
acácias em flor
paredes de tijolos
sábado
sol
só
26 de set. de 2008
Peixe
25 de set. de 2008
Noite clara
O sol ainda não tinha nascido, mas a luz azul da manha preenchia o quarto.
Não queria levantar mas ja estava desperto desde muito antes, como se nunca tivesse dormido.
Minhas narinas cheias de um cheiro doce e vermelho, que me assombrou por toda a noite.
E o som cinza dos primeiros carros na rua arruinavam a esperança de dormir até o sol despontar.
Estendi minha mão procurando não sabia pelo que
Encontrei meus óculos.
Não queria levantar mas ja estava desperto desde muito antes, como se nunca tivesse dormido.
Minhas narinas cheias de um cheiro doce e vermelho, que me assombrou por toda a noite.
E o som cinza dos primeiros carros na rua arruinavam a esperança de dormir até o sol despontar.
Estendi minha mão procurando não sabia pelo que
Encontrei meus óculos.
céu
Fui pedir conselhos ao céu
e ele me mostrou nuvens.
----------------------------
Beijar é como apanhar uma fruta direto do pé, com os lábios.
----------------------------
Sou andorinha
tenho que ir embora.
* 3 ideias pequenas que eventualmente podem ser alguma coisa. vai saber.
e ele me mostrou nuvens.
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Beijar é como apanhar uma fruta direto do pé, com os lábios.
----------------------------
Sou andorinha
tenho que ir embora.
* 3 ideias pequenas que eventualmente podem ser alguma coisa. vai saber.
OK!
"A melhor maneira de fugir é ficar parado..." "...a melhor maneira de mentir é ficar calado (...) o silêncio não é ausência da fala, é o dizer-se tudo sem nenhuma palavra..."
Mia Couto (O outro pé da sereia)
OK! vocês venceram, ele é bom pra burro.
Mia Couto (O outro pé da sereia)
OK! vocês venceram, ele é bom pra burro.
24 de set. de 2008
Primavera (em São Paulo)
O sanhaço voa azul no céu cinza
que é o teto do sem-teto.
O Bem-te-vi e o Sabiá cortam o ar poerento
e a poeira pousa suave sobre uma confusa pitangueira.
Vagens de Ipê e Casco-de-Vaca pendulam serenas
sobre os carros imóveis de uma engarrafamento.
e é primavera.
em São Paulo
2
O sanhaço ( que ninguém vê) voa azul no céu cinza
que é o teto do sem-teto( que ninguém vê).
O Bem-te-vi e o Sabiá( que ninguém vê) cortam o ar poerento
e a poeira pousa suave sobre uma confusa pitangueira( que ninguém vê)
Vagens de Ipê e Casco-de-Vaca(que ninguém vê)
pendulam serenas sobre os carros imóveis de uma engarrafamento.
e é primavera.
em São Paulo
e ninguém vê
que é o teto do sem-teto.
O Bem-te-vi e o Sabiá cortam o ar poerento
e a poeira pousa suave sobre uma confusa pitangueira.
Vagens de Ipê e Casco-de-Vaca pendulam serenas
sobre os carros imóveis de uma engarrafamento.
e é primavera.
em São Paulo
2
O sanhaço ( que ninguém vê) voa azul no céu cinza
que é o teto do sem-teto( que ninguém vê).
O Bem-te-vi e o Sabiá( que ninguém vê) cortam o ar poerento
e a poeira pousa suave sobre uma confusa pitangueira( que ninguém vê)
Vagens de Ipê e Casco-de-Vaca(que ninguém vê)
pendulam serenas sobre os carros imóveis de uma engarrafamento.
e é primavera.
em São Paulo
e ninguém vê
42
Sinto o tempo passar tão rápido
Que como uma corda que queima a mão
O tempo queima a história
* aproveitando o "42" e o tema "tempo" vou citar Douglas Adams :
O tempo é uma ilusão causada pela passagem da história, e a história é uma ilusão causada pela passagem do tempo.
Que como uma corda que queima a mão
O tempo queima a história
* aproveitando o "42" e o tema "tempo" vou citar Douglas Adams :
O tempo é uma ilusão causada pela passagem da história, e a história é uma ilusão causada pela passagem do tempo.
22 de set. de 2008
41
cansado
calejado
machucado
dentro e fora
mas não tão cansado ao ponto de não poder continuar caminhando.
não tão calejado ao ponto de não sentir.
não tão machucado ao ponto de não esquecer.
calejado
machucado
dentro e fora
mas não tão cansado ao ponto de não poder continuar caminhando.
não tão calejado ao ponto de não sentir.
não tão machucado ao ponto de não esquecer.
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