
O sol ainda não tinha nascido, mas a luz azul da manhã preenchia o quarto.Não queria levantar mas já estava desperto desde muito antes, como se nunca tivesse dormido.
Minhas narinas cheias de um cheiro doce e vermelho, que me assombrou por toda a noite.
E o som cinza dos primeiros carros na rua arruinavam a esperança de dormir até o sol despontar.
Estendi minha mão procurando não sabia pelo que.
Encontrei meus óculos.
Gosto dos óculos.
Com eles entre meus olhos e o mundo, vejo com nitidez.
Mesmo que esteja vendo o mal, vejo bem.
O cheiro vermelho se desfez, era só uma memória (esperança?), dessas que moram na ponta do nariz, e quando nos distraímos, pulam para dentro das fossas.
O cheiro era seu. mas com meus óculos vejo bem, estou sozinho. se repetimos uma mesma palavra muitas vezes, ela perde o sentido. ou pelo menos foi o que me disseram...
Quantas vezes terei de repetir "sozinho" até que "sozinho" perca o sentido?
"sozinho"
Mas não tão sozinho. Um carro especialmente barulhento, num gemido cinzento me lembra de minha eterna companheira... essa cidade, que é meu berço maldito. Minha relação com a cidade é como a de um casal, que esta a tanto tempo junto que já não sabe a razão de se estar junto. Vez por outra ela me lembra o que nela fez-me ama-la: uma pâineira em flor, um canto de sabiá na madrugada... mas normalmente, só vejo a face mais suja e feia, como o som cinza do carro la fora. penso sempre no divórcio, mas na divisão de bens perderia muitas coisas que já não sei viver sem.
Estar junto é quase como estar sozinho.
O pior de estar sozinho é gostar de estar sozinho.
Não! o pior é estar sozinho junto de alguém.
eu estou sozinho com a cidade.
quantas vezes terei de dizer "sozinho" para que "sozinho" perca o sentido?
Minhas narinas cheias de um cheiro doce e vermelho, que me assombrou por toda a noite.
E o som cinza dos primeiros carros na rua arruinavam a esperança de dormir até o sol despontar.
Estendi minha mão procurando não sabia pelo que.
Encontrei meus óculos.
Gosto dos óculos.
Com eles entre meus olhos e o mundo, vejo com nitidez.
Mesmo que esteja vendo o mal, vejo bem.
O cheiro vermelho se desfez, era só uma memória (esperança?), dessas que moram na ponta do nariz, e quando nos distraímos, pulam para dentro das fossas.
O cheiro era seu. mas com meus óculos vejo bem, estou sozinho. se repetimos uma mesma palavra muitas vezes, ela perde o sentido. ou pelo menos foi o que me disseram...
Quantas vezes terei de repetir "sozinho" até que "sozinho" perca o sentido?
"sozinho"
Mas não tão sozinho. Um carro especialmente barulhento, num gemido cinzento me lembra de minha eterna companheira... essa cidade, que é meu berço maldito. Minha relação com a cidade é como a de um casal, que esta a tanto tempo junto que já não sabe a razão de se estar junto. Vez por outra ela me lembra o que nela fez-me ama-la: uma pâineira em flor, um canto de sabiá na madrugada... mas normalmente, só vejo a face mais suja e feia, como o som cinza do carro la fora. penso sempre no divórcio, mas na divisão de bens perderia muitas coisas que já não sei viver sem.
Estar junto é quase como estar sozinho.
O pior de estar sozinho é gostar de estar sozinho.
Não! o pior é estar sozinho junto de alguém.
eu estou sozinho com a cidade.
quantas vezes terei de dizer "sozinho" para que "sozinho" perca o sentido?
3 comentários:
UAu
Foda a composição de textos, ou, como vc diria, "do caralho"!!
Queria eu ter escrito.
(Já perdeu o sentido pra vc? ontem treinei com a palavra "falta", deu certo.)
Lindo lindo lindo
Um dos melhores do blog...
Beijo
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